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Kátia Moraes e a “Mistureba” que deu certo

Por Denise Prado

Sempre que penso nas pessoas que conheço que foram para algum lugar nesse mundão, fico na maior curiosidade para saber como estão se vivem bem, se fazem as mesmas coisas que faziam por aqui, se mudaram de profissão, se casaram, enfim, o que aconteceu efetivamente com elas.

Conheci a Kátia Moraes, ou Katita para os íntimos, na década de 80, primeiro no curso do Asdrúbal “Trouxe o Trombone”, de onde saíram grupos de teatro como o “Sem Vergonha” e “Banduendes Por Acaso Estrelados”. Kátia era do “Paraquedas” e eu do “Banduendes”. Mas a nossa convivência se deu mesmo com a criação do grupo “Espírito da Coisa”, que fez a diferença no cenário musical entre 1985 e 1986. O “Espírito da Coisa” tinha uma irreverência e ousadia misturando teatro e música, sempre com apresentações em lugares inusitados, como o Clube de Strip-tese na Avenida Princesa Isabel, no Rio de Janeiro, ou no Teatro do Bixiga, em São Paulo em um horário e dia completamente impensável para a época, as segundas feiras, a meia noite ou em postos de gasolina aos domingos, quando esses eram fechados, com plateias lotadas por onde passavam.

Após o “Espírito da Coisa” se desfazer, Kátia e Mario Costa criaram uma dupla chamada Katita & Marito, que não fugiam do formato teatro e música. Em um determinado momento eles partiram para Los Angeles e ficamos muito tempo sem nos vermos, sem sabermos uma da outra.

Um dia assistindo ao programa do Jô Soares na Copa do Mundo, ele apresenta a banda que o acompanharia diretamente de LA e lá estava a minha querida amiga Katita, cantando no Programa do Jô. Fiquei super emocionada corri para o fax, sim, naquela época não havia a internet assim tão fácil e a mão, mas tinha o lindo aparelho de fax, e eu tinha o privilégio de ter um em casa. Passei um fax para a produção do Jô dizendo que ele havia matado a minha fome de saudade apresentando a “Feijoada Completa”, que era o nome da banda onde a Kátia cantava. Contei sobre há quanto tempo não à via, e um pouco da nossa história. Deixei meu telefone e fiquei em casa acompanhando todos os dias o Programa. Até que um dia o telefone tocou e era a Kátia direto do Programa do Jô.

Não sabia se chorava, se ria, se falava o que falava, mas falamos e rimos e choramos e prometemos uma para outra que nunca mais nos perderíamos.  E assim aconteceu. Em 1997, voltando do Japão, de uma Tournée com o artista Lô Borges, parei em LA e fiquei por dez dias. Foi um reencontro de irmãs, de amigas e de amor. Conheci seu marido, seus amigos, sua vida de perto e tive a honra de acompanhá-la em seus shows. Voltei no tempo.

De lá prá cá, venho acompanhando de perto a carreira e a vida linda que a Kátia construiu sem sair da sua proposta que é cantar e encantar a todos com suas composições, com sua voz e sua brasilidade.

Ela já se apresentou ou/e gravou com vários artistas brasileiros como Sérgio Mendes, Airto Moreira, Oscar Castro-Neves, Rita Lee, Elba Ramalho, Sandy e Junior, Banda Cheiro de Amor, e também com George Duke, Alex Acuña, Justo Almario, o “Projeto Latino” eletrônico do duo inglês Jez Colin e Matt Cooper, e o saxofonista alemão Praful.

Desde sua chegada a Los Angeles em 1990, Kátia tem se apresentado com uma variedade de bandas como “Pure Samba”, “Orquestra Feijoada Completa de 22 peças”, “Samba Society”, “Bloco Nove”, “Falso Baiano”, “The Rio Thing”, “Midnight Drums”, “Sol & Mar”, “Viver Brasil Dance Company”, “Balé Folclórico do Brasil”, “Badauê”, “Homem e Máquina”, e muitos mais. Em 1996, ela lançou seu primeiro CD “Ten Feet and the Sun” nos EUA com a banda “Brasil Nuts”. Em 1999, ela lançou “Ginga” com a banda “Sambaguru”, e em 2003 “Live” da Kufala Records, seguido de “Navegar ao Sol” pela Moondo Records. Em 2009, “Sambaguru” lançou “Tribo” que estava na Cédula de Nomeação Preliminar para o Grammy 2009. Em janeiro de 2013, Kátia lançou seu EP produzido pela engenheira de som Lynne Earls (K.D.Lang, Airto Moreira, Flora Purim).

“Há 7 anos que eu e Neal moramos fora do burburinho de Los Angeles. É lindo aqui. Perto de um Parque Nacional, ar puro, céu estrelado, verde, passarinhos, coiotes e a calmaria de uma cidade do interior. Mas não é. Acho que fiquei mais velha (e sábia) e voltei à fonte original: a Natureza que tanto gosto e me inspira. Criei um jardim com rosas, limões, alecrim e lavanda. Coloquei também a estátua de um anjinho dormindo encima da cerca, no meio de um caramanchão e um Buda que trouxe da casa antiga. Depois da minha prática espiritual diária (kundalini yoga) às vezes visito o limoeiro (ou a lavanda), arranco uma folha, corto no meio e dou uma cheiradinha … Incrível como o aroma me fortalece.  A mulher Kátia que morava em LA deu uma guinada em termos espirituais antes de mudar pra cá. A minha banda “Sambaguru” com que eu toquei e compus de 1994 até 2010 não existe mais. Todos nós precisávamos de mudança. Reclamei da separação durante muito tempo. Apesar da alegria com que canto e animo as pessoas, sou devagar nas mudanças internas. Hoje em dia só tenho a agradecer. Quando cheguei aqui encontrei músicos que queriam aprender comigo sobre o Brasil. E eu queria aprender com eles sobre a cultura Americana. As oportunidades apareceram e o horizonte se expandiu.”

É tão extensa a lista de participações e projetos que ela desenvolve em LA, sempre exaltando a Musica Brasileira em seus diversos ritmos, empregando músicos Brasileiros e estrangeiros, buscando misturar culturas, misturar vidas e trocar experiências, ultrapassando fronteiras.

Ela atualmente está cantando com “Brazilian Hearts”, “Samba Society” e a companhia de dança “Viver Brasil”.

O projeto “Pure Samba” ganhou o Prêmio Treasure L.A., concedido em parte pela California Traditional Music Society, uma ramificação do Departamento de Assuntos Culturais da Cidade de Los Angeles e The California Traditional Music Society.

Kátia Moraes também é a criadora e produtora da série “Brazilian Heart, a Celebration” que começou em 2012. A série musical homenageia artistas influentes brasileiros e começou com Elis Regina (2012), seguidos de Clara Nunes (2013), Maria Bethânia (2014), Noel Rosa (2015), Rita Lee & Além (2016) e Tom Jobim & Ella Fitgerald – American Jazz Divas (2017).

“Mistureba” (música e vídeo) é o mais novo lançamento musical e estará disponível nas plataformas digitais no dia 24 de agosto de 2017.  Quem assina os arranjos é o guitarrista e diretor musical paulistano, JP Mourão.

“Nesta música eu digo que sou uma mistura de todos os seres humanos que fazem parte da minha vida: meus antepassados, pais, professores, amigos e até mesmo seres humanos não tão amigáveis.  Quem me disse pra aquietar? Pra casar, lavar, passar? Quem me disse que o dinheiro só me traria solidão?  Quem me disse pra lutar? Quem me disse pra rezar?  Quem me disse pra fazer do mundo um canto bem melhor para refletir no próprio lar? Quem foi? Todos falam dentro de mim. Sem fim”.

No show de lançamento no dia 24 de setembro no Blue Whale, Kátia será acompanhada pela banda “Brazilian Hearts” (JP Mourão – SP, Isaías Elpes – MG, Uziel Colon – Puerto Rico e Felipe Fraga – PR).  A noite também apresentará uma exposição de desenhos abstratos que Kátia criou dos músicos brasileiros que moram em Los Angeles.  E ainda receberá convidados especiais: Nando Duarte (violão de 7 cordas) Ted Falcon (bandolim e violino), Clarice Cast (percussão), a atriz paulistana Mariana Leite e o ator americano Peter Lownds.

O mais legal é ver que é possível escolher,  e se for determinada, leal as suas ideias, verdadeira em seus propósitos, qualquer pessoa pode se tornar A Mais Influente pessoa e se destacar em sua profissão. Kátia é uma dessas pessoas que nos inspiram e parece que a Imprensa internacional já se rendeu.

“(…) E o canto de Moraes, como sempre, foi uma definição virtual da paixão que é uma parte implícita da música brasileira”. (LOS ANGELES TIMES )

“Katia Moraes é um duende de voz doce que irradia uma energia ensolarada, com traços da grande Elis Regina brasileira no canto de Moraes”. (THE VALLEY BEAT)

“A cantora brasileira Katia Moraes – nasceu pra ser artista.” (VARIETY)“Katia é um dínamo absoluto no palco”. (L.A. JAZZ SCENE)

“A voz de Kátia pode ser poderosa e sincera, tímida e convincente, expansiva ou íntima”. (THE BRAZILIAN MUSIC REVIEW)

“Moraes, sempre um artista irreprimível e efervescente.” (LOS ANGELES TIMES)

“Mudando do pagode direto pro samba funked-out ao rock, os cordões vocais poderosos de Kátia dominam …” (THE BEAT)

“(…) Mas não há uma cantora brasileira na cidade tão irresistível quanto Katia Moraes. As multidões ficam loucas quando ela se apresenta. A energia, o carisma, a alegria da música brasileira toma conta do espaço”. (LA WEEKLY)

Hoje (22) vai ao ar pelo YouTube o vídeo de lançamento da sua “Mistureba”. Aproveite para conhecer de perto e/ou relembrar o talento da nossa querida Katita.

Fotos: Arquivo Pessoal

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