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Atriz Carolina Stofella fala sobre protagonismo feminino nas artes

A carismática e talentosa atriz Carolina Stofella vive um momento singular na sua carreira ao interpretar sua primeira personagem cômica. Com outras 13 peças no currículo, Carol pode ser vista como Karla na comédia “A Banheira”, em cartaz até o fim de maio.

Em um bate-papo exclusivo com a Mais Influente Mulher, a atriz falou sobre trabalhos antigos, personagens marcantes, a situação do cenário cultural brasileiro, projetos para o futuro e muito mais.

Confira agora a entrevista na íntegra:

1. Conte um pouco a respeito da peça. Até quando podemos conferi-la em cartaz?
“A Banheira” é uma comédia que fala sobre aceitação e respeito pelo outro de uma forma bem leve e divertida. E como é importante falarmos e refletirmos sobre respeito nesse momento tão grave de ódio gratuito que estamos vivendo. A peça está em cartaz há três anos e é um sucesso de público. Esta temporada acaba no final de maio, mas, provavelmente, voltaremos em breve.

2. O que o público pode esperar do espetáculo?
O público pode esperar uma hora e meia de boas risadas e muita diversão, através de uma história que fala de amor e respeito. É uma delícia saber que as pessoas estão ali entregues àquela história e se divertindo muito. É importantíssimo promover esses momentos de escape.

3. Fale a respeito da sua personagem; qual a principal diferença em comparação à trabalhos anteriores?
A Karla é a minha primeira personagem cômica. É diferente em tudo, na alegria, no desprendimento… Ela não julga a situação que está vivendo, apenas vai deixando acontecer. É uma personagem bem engraçada. Tem um tom acima e uma risada marcante. Eu me divirto em cena.

4. Como você se prepara para entrar em cena? Existe um ritual ou mania específica?
Eu costumo chegar ao teatro pelo menos três horas antes do espetáculo. Sempre foi assim. Eu gosto de chegar cedo, gosto de estar no teatro. É um prazer. Um respeito que tenho comigo, com o meu trabalho e com o público. É fundamental ter tempo para me arrumar com calma,  conversar e dar boas risadas com os meus colegas no camarim. Afinal, o que levamos de cada trabalho são as relações que construímos ali. Antes de entrar em cena faço um aquecimento de corpo e voz, procuro me concentrar por um tempo, sempre faço uma oração e abraço meus colegas de elenco desejando que todos tenhamos um ótimo espetáculo.

5. A respeito da sua carreira, qual foi sua personagem mais marcante?
Eu tive muita sorte e é muito difícil escolher uma só. Tenho paixão pela Gá, de “Homens de Papel” do Plínio Marcos. Gá era autista e estudei muito para compor essa personagem. Foi um grande desafio. Também amo a Marion Silver, da adaptação de “Réquiem para um sonho”. Precisei entender a força do vício, a loucura de estar disposta a fazer qualquer coisa por um pouco de heroína. No ano passado fiz a Ellen de “Enquanto as crianças dormem”, do Dan Rosseto. Uma personagem desafiadora e cheia de camadas. A cada cena ela apresentava mais uma face da sua personalidade. E teve também a Alice, de “Alices”, do Jarbas Capusso Filho com direção do Léo Gama. Uma mulher que foi violentada e assassinada pelo ex marido. Uma mulher romântica que vê seus sonhos se desmoronando. Era tanta esperança e dor pulsando ao mesmo tempo. Emoção à flor da pele. Taí, as quatro personagens que destaquei são as mais intensas e as que mais me desafiaram.

6. Falando sobre a peça “Alices”, como foi a preparação para viver uma mulher que havia sido violentada dentro de um relacionamento amoroso?
Vivemos um processo intenso com a preparadora de elenco Ana Abbott e com o diretor Leo Gama. Foram dois meses e meio de entrega total. Vivenciamos a esperança, os sonhos e as dores dessas “Alices”. Também lemos muito a respeito do assunto e dividimos entre nós experiências que ouvimos de outras mulheres. Era uma responsabilidade enorme dar voz a essas mulheres. Foi lindo e gratificante conseguir tocar o público e falar sobre algo tão necessário através deste espetáculo.

7. “Alices” foi protagonizada por duas mulheres, como você vê o crescimento de mulheres protagonistas cada vez mais aparecendo como o centro das histórias no cinema e teatro?
Que maravilha esse movimento. É necessário. Precisamos nos apoiar cada vez mais. Somos guerreiras, fortes, competentes… Nossas histórias merecem e devem ser contadas no cinema, no teatro, nos livros… Eu tenho um exemplo muito forte que é a minha mãe. Uma mulher que lutou muito, numa época ainda mais complicada, conquistou seu espaço e me incentivou muito a fazer o mesmo. Eu saí de casa bem cedo pra ir atrás dos meus sonhos sabendo que eu poderia conquistar tudo que eu quisesse.

8. Como você enxerga o cenário cultural brasileiro atualmente?
As coisas estão bem difíceis, mas graças a Deus faço parte de uma turma que levanta e faz. No ano passado fizemos um espetáculo através de financiamento coletivo. E foi lindo! Teatro é feito com união e força conjunta. Fiz vários espetáculos na raça. Não dá pra ficar esperando.  Infelizmente, a cultura no nosso país não é valorizada. Se a arte sobrevive é porque somos loucamente apaixonados pelo que fazemos.

9. Que conselho você daria para uma mulher que quer ingressar na carreira de atriz?
Tenha certeza de que essa é a sua vocação. Se for, então, dedique-se. Acredite. Estude sempre e muito. Seja curiosa e corajosa. Teatro é amor, estudo, muito trabalho, disciplina, uma dose cara de pau e muita persistência. É um caminho árduo e difícil, mas, para mim, é o mais lindo de todos.

10. Quais são seus próximos projetos? Algum especial que possa nos contar?
Tem muita coisa boa vindo por aí. Em Junho começarei a ensaiar o texto do Gianfrancesco Guarnieri “Eles não usam Black Tie”, com estreia em Julho. Um clássico importantíssimo do teatro nacional. Adoro esse texto e até hoje lembro da montagem que assisti em 2001 com Du Moscovis no papel de Tião. Estamos, também, em fase de pré produção da temporada paulista de “A Antessala”, um texto da Ana Bez. É uma peça que fala sobre o tempo. Sobre como usamos o nosso tempo e o quanto dele desperdiçamos. A temporada carioca, em 2015, foi linda e estamos ansiosas para trazer o espetáculo para São Paulo. Os outros projetos estão bem no início, mais pra frente eu conto pra vocês!

Fotos: Divulgação

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