1.0 // FAMOSOS1.2 // DEU BABADO 

Donata Meirelles é criticada por fazer festa considerada racista

A socialite e diretora Vogue Brasil, Donata Meirelles, causo rebuliço nas mídias devido a sua festa de aniversário na sexta-feira (08). Comemorando 50 anos, ela celebrou na cidade de Salvador, em um grande evento. Porém, a decoração gerou polêmica.

Na recepção havia uma poltrona e do lado duas mulheres negras, aparentemente vestidas de mucamas, onde os convidados podiam sentar e tirar fotos. Lembrando uma cadeira de Sinhá, a cena foi considerada racista.

Donata, compartilhou o momento em suas redes sociais e foi duramente criticada pela foto em que aparecia como uma senhora de escravos.

Depois da repercussão, a aniversariante se desculpou.”Ontem comemorei meus 50 anos em Salvador, cidade de meu marido e que tanto amo. Não era uma festa temática. Como era sexta-feira e a festa foi na Bahia, muitos convidados e o receptivo estavam de branco, como reza a tradição. Mas vale também esclarecer: nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa”, escreveu ela.

“Se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas. Respeito a Bahia, sua cultura e suas tradições, assim como as baianas, que são Patrimônio Imaterial desta terra que também considero minha e que recebem com tanto carinho os visitantes no aeroporto, nas ruas e nas festas. Mas, como dizia Juscelino, com erro não há compromisso e, como diz o samba, perdão foi feito para pedir”, finalizou Donata.

 

View this post on Instagram

Ontem comemorei meus 50 anos em Salvador, cidade de meu marido e que tanto amo. Não era uma festa temática. Como era sexta-feira e a festa foi na Bahia, muitos convidados e o receptivo estavam de branco, como reza a tradição. Mas vale também esclarecer: nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa. Ainda assim, se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas. Respeito a Bahia, sua cultura e suas tradições, assim como as baianas, que são Patrimônio Imaterial desta terra que também considero minha e que recebem com tanto carinho os visitantes no aeroporto, nas ruas e nas festas. Mas, como dizia Juscelino, com erro não há compromisso e, como diz o samba, perdão foi feito para pedir.

A post shared by donatameirelles (@donatameirelles) on

 

Artistas se pronunciaram

Mesmo com o pedido de desculpas, diversos artistas não gostaram de sua atitude e se pronunciaram sobre o ocorrido. Elza Soares foi uma, com fotos cheias de representatividade, a cantora escreveu um texto consciente.

“Hoje li sobre mais uma ‘cutucada’ na ferida aberta do Brasil Colônia. Não faço juízo de valor sobre quem errou ou se teve intenção de errar. Faço um alerta! Quer ser elegante? Pense no quanto pode machucar o próximo, sua memória, os flagelos do seu povo, ao escolher um tema para “enfeitar” um momento feliz da vida”, disse.

“Felicidade às custas do constrangimento do próximo, seja ele de qual raça for, não é felicidade, é dor. O limite é tênue. Elegância é ponderar, por mais inocente que sua ação pareça. A carne mais barata do mercado FOI a carne negra e agora NÃO é mais. Gritaremos isso pra quem não compreendeu ainda. Escravizar, nem de brincadeira. Seguimos em luta”, continuou ela.

Em seu texto, ainda contou um pouco da história do nosso país, mostrando sua experiencia de vida e seu ponto de vista. “Gentem, sou negra e celebro com orgulho a minha raça desde quando não era “elegante” ser negro nesse país. Éramos invisíveis. Sou bisneta de escrava, neta de escrava forra e minha mãe conhecia na fonte as histórias sobre o flagelo do povo negro”.

“Gentem, essas feridas todas eu carreguei na alma e trago as cicatrizes. Feridas que não se curaram e são cutucadas para mantê-las abertas demonstrando que “lugar de preto é nessa Senzala moderna”, disfarçada, à espreita, como se vigiasse nosso povo. Povo que descende em sua maioria dos negros que colonizaram e construíram o nosso país”, concluiu Elza.

 

View this post on Instagram

Gentem, sou negra e celebro com orgulho a minha raça desde quando não era “elegante” ser negro nesse país. Quando preto não usava o elevador dos “patrões”. Quando pretos motorneiros dos bondes eram substituídos por brancos em festividades com a presença de autoridades de pele branca. Da época em que jogadores de um clube carioca passavam pô de arroz no rosto para entrarem em campo, já que não “pegava bem” ter a pele escura. Desde que os garçons de um famoso hotel carioca não atendiam pretos no restaurante. Éramos invisíveis. Celebro minha raça desde o tempo em que gravadoras não davam coquetel de lançamento para os “discos dos pretos”. Celebro minha origem ancestral desde que “música de preto” era definição de estilo musical. Grito pelo meu povo desde a época em que se um homem famoso se separasse de sua mulher para ficar com uma negra, essa ganhava o “título” de vagabunda, mas não acontecia se próxima tivesse a pele “clara”. Sou bisneta de escrava, neta de escrava forra e minha mãe conhecia na fonte as histórias sobre o flagelo do povo negro. Protesto pelos direitos da minha raça desde que preta não entrava na sala das sinhás. Gentem, essas feridas todas eu carreguei na alma e trago as cicatrizes. A maioria do povo negro brasileiro. Feridas que não se curaram e são cutucadas para mantê-las abertas demonstrando que “lugar de preto é nessa Senzala moderna”, disfarçada, à espreita, como se vigiasse nosso povo. Povo que descende em sua maioria dos negros que colonizaram e construíram o nosso país. Hoje li sobre mais uma “cutucada” na ferida aberta do Brasil Colônia. Não faço juízo de valor sobre quem errou ou se teve intenção de errar. Faço um alerta! Quer ser elegante? Pense no quanto pode machucar o próximo, sua memória, os flagelos do seu povo, ao escolher um tema para “enfeitar” um momento feliz da vida. Felicidade às custas do constrangimento do próximo, seja ele de qual raça for, não é felicidade, é dor. O limite é tênue. Elegância é ponderar, por mais inocente que sua ação pareça. A carne mais barata do mercado FOI a carne negra e agora NÃO é mais. Gritaremos isso pra quem não compreendeu ainda. Escravizar, nem de brincadeira. Seguimos em luta ✊🏾

A post shared by Elza Soares (@elzasoaresoficial) on

 

Segunda festa de Donata

Mesmo com toda a polêmica, Donata Meirelles comemorou seu aniversario em uma segunda festa no Restaurante Amado, também em Salvador.

O evento contou com apresentações de Preta Gil e Ivete Sangalo que foram muito criticadas na internet, por participarem de uma festa com a temática racista.

A cantora Ivete aproveitou o momento que estava no palco para dar sua opinião sobre a grande polêmica. “Quero dizer também que o que eu estou fazendo aqui hoje é pensando no outro. Estou pensando em você. Vim pensando em você. E o exercício de pensar no outro, embora pareça muito difícil para a gente tomar decisões, é preciso pensar no outro”, disse ela.

 

 

saiba antes via instagram @amaisinfluente