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Pedro Vinícius, o Michael de ‘Malhação’

POR JULIANA MORAES
Natural de João Pessoa, na Paraíba, Pedro Vinícius, de 18 anos, começou sua carreira nos espetáculos amadores da Companhia de teatro Escola SESC.

O convite para integrar no elenco de Malhação foi em setembro de 2017, onde estava em um evento de educação internacional, da escola em que estudava, em parceria da Globo com o SESC e foi apresentado a diretora Natália Grimberg, que estava fazendo a próxima temporada de Malhação.

Na história, Michael Muller, tem 15 anos e é um dos bolsistas que ingressou no Colégio Sapiência por meio do projeto da ONG Percurso, que é chefiada por Rafael Porto. Michael é gay, se identifica muito com o universo feminino, sua paixão é moda e cinema e suas melhores amigas são Jade e Pérola. Ele é muito bem resolvido com sua sexualidade e sua forma de se expressar no mundo.

Pedro afirma que seu personagem têm muito em comum com Michael, parece uma versão um pouco menos madura de Pedro aos 15.

Pedro passa muito de suas experiências de vida para dar vida ao Michael, principalmente no âmbito da causa social da Comunidade LGBTQ+, ele estuda muito sobre e por isso fica muito atento ao que passa na história do personagem, para que seja transmitida para o público da melhor forma possível, para que as pessoas entendam um pouco mais da vivência das pessoas LGBTQ+ e procurem ser mais empáticas.


O que te motivou a entrar na carreira artística? Primordialmente foram os filmes que eu assistia na infância, eu queria imitar tudo o que eu via, o que incluía desde os filmes de ação apocalíptica até os musicais e animações. Depois que eu fui crescendo, fui aprendendo mais sobre o que é a Arte, e o papel dela no mundo. Aprendi sobre movimentos artísticos que foram responsáveis por grandes mudanças históricas e toda vez que eu descobria mais alguma coisa, eu sentia que queria fazer parte das pessoas que mudam o curso das coisas, sempre para o que é melhor, sempre visando a liberdade. A ânsia pela liberdade sempre fez parte de mim, e encontro isso todos os dias na arte.

Como foi o início? Teve apoio da família? Lembro de um dia ter tido uma conversa muito séria com a minha mãe sobre minha vontade de ser artista. Ela relutava porque tinha medo de eu não conseguir me sustentar, pagar um aluguel ou até mesmo me alimentar, não sabia de onde eu tiraria dinheiro para viver em outra cidade, e isso a deixava muito aflita. Eu tive que explicar para minha mãe sobre como nós dois éramos parecidos nesse âmbito, porque minha avó também relutou pelos mesmos motivos quando minha mãe disse que queria ter um salão de beleza (minha mãe é esteticista, depiladora). Ambos dependemos de público, se ninguém vai ao salão, minha mãe não ganha dinheiro. Se ninguém for ao teatro, ou se não gostar do meu perfil para um filme ou novela que estão fazendo, eu também não vou ganhar dinheiro. E hoje, minha mãe sustenta não só a si mesma, mas como a nossa casa e o lugar de trabalho dela. Obviamente que nada é esbanjando luxos, mas minha mãe faz o que ela ama fazer, ela gosta de ir trabalhar. Quando eu expliquei isso para minha mãe, ela entendeu completamente o que eu queria, e mesmo sabendo que é um caminho difícil, ela me apoiou. Eu sei que minha mãe jamais me deixaria fazer alguma coisa que eu não quisesse fazer, ela sabe a importância de fazermos o que a gente ama do trabalho.

O que você achou mais desafiador no início? Acreditar que eu era capaz de fazer o meu trabalho foi uma coisa muito desafiadora. Tinha vezes que eu sentia como se eu não fosse merecedor daquela oportunidade e por isso sentia umapressão enorme nas minhas costas gritando que eu tinha que dar conta de tudo e não podia fracassar de jeito nenhum. Acontece que, na verdade, a gente precisa de pessoas que acreditem em você, mas se você mesmo não acredita, de nada vale se tiver um milhão de pessoas gritando que te ama na frente da sua porta, sabe? Então, essa construção do “eu tenho que acreditar que sou capaz de ser o artista que eu admiro” foi um processo longo, e que ainda hoje eu acabo tropeçando de vez em quando, mas faz parte. Estamos em constante construção.

O que mais te inspira na profissão? A possibilidade encarar emoções e realidades que não me pertencem no instante anterior, mas que em cena, tudo passa a ser realidade, porque para alguém, pode ser o significado davida dela, entendeu? Representar e interpretar uma vida que não é a minha, a do Pedro Vinícius, mas que pode ser a de qualquer pessoa no mundo. É dar vida à dor e à felicidade de alguém. Acho lindo, e dá um cansaço que no final do dia é gostoso de sentir.

 Conte um pouquinho pra gente sobre o seu personagem. Você se identifica com ele? O Michael é tudo o que eu queria ser aos 15 anos e não tive coragem, só tive um ano depois (risos). Eu me identifico muito com o Michael em algumas coisas e em muitas outras coisas eu penso o quanto somos diferentes. Nós dois viemos de um lar muito acolhedor e conhecemos muito de nós mesmos. Acredito que muitos jovens gays se identifiquem com o Michael justamente pela falta de bichas afeminadas jovens na televisão e que são muito mais que o alívio cômico da trama. O Michael tem história, tem personalidade e emoções.

Onde você busca inspirações para dar vida a seus personagens? Nas pessoas que estão perto de mim, nos filmes que eu assisti e me marcaram, nas histórias que eu já ouvi e também na minha própria imaginação. O ator trabalha com a subjetividade e complexidade do ser humano, e por isso tento buscar isso em mim e quando encontrar, pensar em como aquele personagem faria isso, ou se faria da mesma forma que eu, e se não, de que forma seria. É sobre questionar si mesmo e entender a alteridade, saber que existe o outro.

E qual o seu trabalho, obra ou personagem dos sonhos? Pergunta muito difícil! Eu tenho tantos personagens dos sonhos! Eu adoraria fazer uma personagem dramática ao extremo, que grita e tem surtos, e quebra coisas e em algum momento você descobre que ela só faz isso porque alguma coisa no passado dela não foi resolvida e ela se culpa por isso. Também adoraria fazer um que fosse mais misterioso, que fala com os olhos e que possui uma energia sexual em cada gesto, que fosse solitário, mas não admitisse isso, ele acreditaria que o jeito que ele leva a vida é um estilo e não solidão. Adoraria também fazer uma coisa absurdamente louca meio Alice meio Mágico de Oz meio realismo fantástico. Também adoraria fazer um bailarino, alguém que dançasse.

Quem é a sua maior referência no mundo artístico? Madonna. Ela é uma pessoa que eu tenho admiração máxima. Eu amo o que ela faz da carreira dela, como ela não se anula da participação política, em como ela é ativista para com osdireitos civis e com a liberdade de expressão. Na década de 80, durante a crise da AIDS, Madonna era uma das pouquíssimas artistas que fazia campanha para as pessoas usarem camisinha e falava abertamente sobre o vírus em seus shows. Nem a televisão falava tanto sobre o assunto quanto Madonna. A atuação dela enquanto pessoa pública, famosa, celebridade, artista, filantrópica, etc. etc. nunca anulou a voz dela e o que ela acredita. Madonna sempre se pronuncia, e para mim isso é fundamental para ser um artista.

O que a arte significa para você? Saúde. Se um país está em dia com o desenvolvimento cultural, se tem teatro cheio, verba para fazer cinema nacional, exposições novas nos museus, eventos gratuitos sobre multiculturalidade, etc. etc. é um sinal de que este país está saudável. O setor cultural, especialmente aqui no Brasil, tem sido um dos setores mais negligenciados e postos de lado, por isso que para mim, a cultura e arte em geral são os termômetros de um país saudável. Um país que a arte resiste, certamente é um país que está em constante progresso.

 E sobre seus planos para o futuro, tem algum que possa nos contar? Por enquanto não tenho muita coisa a declarar sobre o futuro. Tenho planos pessoais, quero estudar, fazer alguns cursos e me dar um tempo para pensar sobre a vida. Quero ir para o teatro, estou precisando de uma renovação, fazer coisas novas.

 Quem é o Pedro Vinicius que o público não conhece? O Pedro de casa. Acho que as pessoas não devem conhecer muito meu lado mais forte e sensível, nem meu lado caseiro, que não é sempre, mas quando vem não tem que me faça arredar o pé da minha casinha. Acho que as pessoas não conhecem meu lado do eu sozinho, e acredito que muita gente me ache ingênuo por causa do meu jeito de ser. Não gosto quando as pessoas me tomam como uma pessoa frágil, eu nunca me senti frágil.

PING PONG

Nome completo: Pedro Vinícius Moreira Barbosa da Silva

Idade: 19 anos

Signo: Libra

Um filme: O Rei Leão

Uma música: Hung Up, Madonna

Um livro: Felicidade Clandestina, Clarice Lispector.

Um sonho: Entrar para a história mundial.

Maior qualidade: Eu sempre vou atrás do que eu quero.

Maior defeito: Eu me julgo muito.

Sua maior conquista: Sair de casa muito jovem.

Defina-se em uma palavra: Feroz.

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