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De espectadora a atriz, Jeniffer Dias quer sempre mais

Por Juliana Moraes

Jeniffer Dias tem 27 anos, é mulher, atriz e negra. Nascida e criada na comunidade Coronel Leôncio, em Niterói (RJ), quando criança nunca se sentiu representada nas produções que via na TV. Sempre quis estar do outro lado, lá dentro da telinha, mas não acreditava que pudesse chegar. Concluiu o Ensino Fundamental em escola pública e o Médio em particular, com bolsa para ginástica rítmica. Formada, já trabalhando, deu início à graduação em Engenharia Ambiental. Quando algo aconteceu na sua vida e tudo mudou.

Confira a entrevista exclusiva que a atriz concedeu à Mais Mais Mais:

Por que decidiu entrar para a vida artística? O que te motivou?
Eu de fato me encontrei! Eu só não tinha entrado para a vida artística antes por uma questão de oportunidade. Por ter crescido numa realidade muito distante desse universo da teledramaturgia, cinema e teatro. Quando eu comecei a trabalhar com a Regina Casé eu entendi que aquele era o lugar que eu queria estar, e que eu realmente amava.

O que você achou mais desafiador no início da carreira?
A instabilidade me dava pavor! (risos) Saber que nem sempre teria trabalho era uma coisa que me deixava muito apreensiva. Com o tempo eu entendi que isso não é nada. Entendi que quando alguém não nos dá trabalho, a gente faz acontecer. Cria nossas coisas, nossos projetos, estuda, faz curso, se movimenta e as coisas vão acontecendo. Foi assim que surgiu o meu PROJETO 111: Um projeto de resistência cultural, onde a arte é respeitada e valorizada.

Como foi a decisão de abandonar a Engenharia para ser atriz?
No início não foi fácil por uma questão de sobrevivência. Eu achava que a engenharia me daria uma grana que a arte poderia não dar. E eu precisava pagar minhas contas! Com o tempo vi que nada paga nossa paz e nosso prazer por estar trabalhando com o que gostamos.

Teve apoio da família?
Tive muito apoio da minha família! Tenho pais maravilhosos e com o pé na arte. Meu pai é gerente financeiro, mas nos anos 90 tinha um grupo de pagode, o grupo Pirraça. Ele é minha referência na música e cresci cantando com ele tocando violão na sala de casa e nas festas no fundo do quintal. Minha mãe sempre amou escolas de samba e rodas de samba… Sempre me levou com ela. Eles ficaram muito felizes com a minha decisão e fizeram de tudo para que as coisas dessem certo.

Fale um pouco sobre a sua personagem. Em quais pontos você se identifica e se opõe a ela?
Eu sou ativista como a Dandara em Malhação. Acho importante a gente falar e se posicionar! Muito do que a personagem fala se conecta com o que eu acredito ser importante ser dito na vida. E me interessa muito, como artista, dar voz a isso.

O que a arte significa para você?
Quando eu comecei a estudar artes dramáticas, além de me reconhecer como artista, me sentir super à vontade no palco e na frente das câmeras, me autoconheci. Porque o teatro também tem esse papel, né? Ali eu descobri o que eu realmente queria na vida, o meu lugar de fala. Eu sinto que o papel do artista é mesmo esse: falar sobre suas dores, sobre o que te atravessa, sobre suas questões, como ferramenta de transformação pra si e para o outro também.

Como é, na sua opinião, viver de arte no Brasil?
Não é fácil viu! Precisamos de políticas que deem um maior apoio e estabilidade pros artistas. Muita gente acha que artista é vagabundo. Ainda hoje escuto isso. E é muito pelo contrário! Trabalhamos muito e damos um duro danado em prol da transformação positiva do coletivo! E precisamos ser valorizados por isso.

Qual o maior aprendizado que você leva da sua carreira artística?
Tenho muito a aprender… A minha carreira só está começando. E quero estar sempre presente e disponível para aprender e transformar com a minha arte.

Quem é a sua maior referência no mundo artístico?
Tem algumas muitas referências… Mas a primeira pessoa que abriu meus olhos pro mundo artístico foi a Regina Casé. Então eu a reverencio por isso. Admiro muito o trabalho de Lázaro Ramos e da Tais Araújo. E de fora do país, sou muito fã Viola Davis e da Lupita N’yongo

Tem algum papel que você queira muito viver um dia?
Quero muito fazer um filme de super heróis. Quando assisti Pantera Negra, me sentia lá em Wakanda.

 

O que você espera da sua carreira daqui pra frente?
Espero tocar e transformar pessoas contando histórias, tanto em novelas, cinemas, séries, como em saraus e peças de teatro. Torço pra viver personagens tão especiais e importantes quanto Dandara.

Como é a Jeniffer no dia a dia?
Me considero alto astral, positiva e riso frouxo. Vivo fazendo brincadeiras, tentando tirar um sorriso das pessoas que estão por perto.

PING PONG
Nome completo: Jeniffer Fernandes Silva
Idade: 27
Signo: Gêmeos
Um animal: Pantera Negra
Maior qualidade: Generosa
Maior defeito: Indecisa
Uma música: Conselho – Fundo de Quintal
Um filme: Pantera Negra
Uma viagem: Salvador, Carnaval de 2018
Defina-se em uma palavra: resiliência

saiba antes via instagram @amaisinfluente