3.4 // SAÚDE 

Dezembro Laranja: mitos e verdades sobre o câncer de pele

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são diagnosticados cerca de 170 mil casos novos de câncer de pele por ano no Brasil. Dentre eles, os carcinomas são os mais frequentes, representando 30% dos tumores malignos registrados e com alta chance de cura quando diagnosticado precocemente. De acordo com Elimar Gomes, dermatologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo , a doença está relacionada à radiação ultravioleta, emitida pelo sol. “Tanto a exposição solar diária, ou seja, receber pequena quantidade de sol ao longo da vida em partes expostas do corpo, quanto episódios de exposição intensa e desprotegida, aumentam as chances de desenvolver um câncer de pele”, afirma.

O especialista reforça que pessoas de cabelos loiros ou ruivos, olhos claros ou de pele clara, que facilmente ficam vermelhas quando tomam sol, têm risco ainda maior de ter a doença. “É evidente que o fator genético também é muito importante. Quem tem familiares com histórico de câncer de pele, principalmente o melanoma, deve ficar mais atento. Os cuidados precisam ser redobrados também por pessoas com muitas pintas, cicatrizes, feridas crônicas ou imunossuprimidas”, ressalta o dermatologista da BP, que também é coordenador da Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que anualmente no mês de dezembro intensifica as ações de conscientização sobre diagnóstico e prevenção ao câncer de pele.

O profissional reforça a importância do tema e explica alguns mitos e verdades sobre esse tipo câncer:

Os filtros solares são dispensáveis nos dias sem sol?

Mito. É necessário passar protetor todos os dias. A luz solar que atinge a superfície terrestre possui diversos tipos de radiação, que vai desde a luz visível, aquela que determina a claridade e o espectro de cores, até radiações que não vemos, como os raios infravermelho (IV), que sentimos apenas como calor, e os ultravioletas (UV), divididos em ultravioleta A (UVA) e ultravioleta B (UVB).

Os raios UVA são praticamente constantes durante o dia e representam 95% da radiação que atinge o corpo e o rosto. Eles penetram profundamente na pele e são os principais responsáveis pelo fotoenvelhecimento, reações cutâneas (fotoalergias e fototoxicidades), manchas solares e câncer de pele. Já os raios UVB são intensos entre 9h e 15h e provocam na pele morena o agravamento de manchas e, na pele branca, vermelhidão, queimaduras solares e uma série de alterações que determinam o câncer de pele.

É indispensável o uso diário de protetor solar fator 30 ou maior e recomendável usar chapéu, óculos escuros, roupas com fator de proteção ultravioleta no tecido, evitar exposição ao sol no período entre 9 e 15 horas e permanecer na sombra sempre que possível. Importante ressaltar que mais de 90% dos casos de câncer de pele são causados pela exposição aos raios ultravioletas do sol.

O protetor solar deve ser aplicado em grande quantidade antes de sair de casa e reaplicado durante a exposição solar?

Verdade. A primeira aplicação do produto é fundamental e deve ser feita com

atenção e cuidado, com pelo menos 15 minutos antes da exposição solar, de preferência sem roupa ou com menor quantidade possível. Recomenda-se a reaplicação dos fotoprotetores a cada duas horas ou após períodos de imersão na água. A quantidade a ser aplicada deve ser observada, recomendando a aplicação de duas camadas do produto em todo o corpo.

É possível manter a pele saudável no verão?

Verdade. Durante o verão, a radiação solar incide com mais intensidade sobre o planeta e como fazemos mais atividades ao ar livre aumentam os riscos de

queimadura, câncer da pele e outros problemas. Por isso, é necessário ter cuidado redobrado com a hidratação da pele. No banho, recomenda-se usar sabonetes compatíveis com o tipo de pele, mas sem excesso. E a temperatura da água deve ser fria ou morna para evitar o ressecamento. Além do filtro solar, no verão é importante usar roupas de algodão durante as atividades ao ar livre.

Alimentação também previne contra câncer de pele?

Mito. A alimentação pode ajudar apenas a prevenir os danos que o sol causa à pele, mas não reduz riscos ou previne esse tipo de câncer. De qualquer forma, uma alimentação saudável faz muito bem para a pele e itens como cenoura, abóbora, mamão, maçã e beterraba contêm carotenoides e têm ação antioxidante, ou seja, protegem as células sadias do organismo. No verão, estamos mais dispostos a comer de forma saudável, ingerindo carnes grelhadas, alimentos crus e cozidos, frutas e legumes com alto teor de água e fibras e baixo teor de carboidratos. Apostar nesses alimentos ajuda na hidratação do corpo, previne outras doenças e adia os sinais do envelhecimento. Em relação ao câncer de pele, para reduzir as chances, é preciso se proteger da radiação solar.

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