1.0 // FAMOSOS 

Érico Brás é ator, apresentador e símbolo do movimento negro

Por Luana Magalhães

Ator consagrado, ativista e agora apresentador. Érico Brás é multitalento e revela isso mais uma vez ao público da televisão brasileira ao dominar o palco do programa ‘Se Joga’, da rede Globo, no qual apresenta juntamente com Fernanda Gentil e Fabiana Karla.

Apesar de sempre ter feito sucesso como ator, o sonho de apresentar e comandar um programa sempre esteve com Érico. “Era um desejo meu, ainda criança, quando iniciei a carreira na arte, pois sempre achei possível estar neste lugar. Sempre tive grande admiração por comunicadores como Chacrinha, Serginho Groisman, Hebe Camargo, Ana Maria Braga, Faustão, Gugu Liberato, entre tantos outros exemplos brilhantes que temos na TV brasileira. E hoje eu estou muito feliz com essa experiência, que é apresentar um programa diário e ao vivo. Temos uma equipe incrível e ótimo entrosamento entre os apresentadores, o que torna tudo mais fácil”, relata.

Érico conta que a proposta para o ‘Se Joga’ surgiu quando menos esperava. Ele estava de férias na Nigéria quando recebeu um telefonema que o convidava para um teste. “Era uma sexta-feira e para fazer o teste eu precisava estar no Rio na segunda. No meu íntimo, sabia que essa era a oportunidade que eu tanto almejava. Cancelei a viagem e adiantei meu voo de volta para o Brasil. Deu certo”, afirma com humor.

O coleguismo com as parceiras de palco não poderia ser melhor. Érico conta que está aprendendo muito com Fernanda e com a Fabiana, com quem já trabalhou anteriormente em dois trabalhos. Para ele, a palavra que define esse trio é sintonia. 

“A Fernanda tem ´gentil´ no nome e não é por acaso. Ela é a mais experiente do grupo nessa função, de apresentar, e troca com a gente o tempo todo. Ela vem de uma carreira linda no jornalismo e teve um programa na Rádio Globo, onde fui entrevistado por ela algumas vezes. E a sintonia sempre foi ótima e a agora que estamos trabalhando juntos, estamos ainda mais afinados e próximos. E com a Fabiana também. Já dividimos trabalhos, como é o caso da “Escolinha” e “Zorra”, e sempre tivemos uma ótima relação. Acho que essa sintonia que temos no ar é perceptível. O feedback do público tem sido muito legal, quase que simultâneo”, ele conta.  

Apesar de ter se preparado para realizar esse sonho durante a vida toda, estar comandando o ‘Se Joga’ ainda é um grande desafio. “O principal é estar ligado ao que está rolando, pois o programa é ao vivo.  Com isso, passei a ler os jornais com mais profundidade, sites e revistas com outro olhar, assim como a própria rede social.  Antes de chegar no Projac já li e me aprofundei em assuntos que acho possíveis serem debatidos no programa”.

Durante a tarde, o telespectador procura relaxamento e divertimento na programação da televisão e é exatamente no programa de Érico Brás que todos podem encontrar isso. O principal objetivo do apresentador é entreter, levar informações e interagir com as redes sociais, mas sempre com um toque de leveza e alto astral.

Ativista

Além de excelente artista, o destaque dessa matéria tem um papel imprescindível na luta contra o racismo e em defesa dos direitos dos negros.  Um exemplo disso é Érico ter entrado para a lista dos 100 negros mais influentes do mundo, que é organizada anualmente pela Most Influential People of African Descent (MIPAD). O evento é um dos mais importantes quando se trata de homenagem a artistas e cidadãos que lutam por essa causa.

“Estar nessa lista é reflexo de um trabalho que não fui eu que comecei, foram pessoas que vieram antes de mim, como Ruth de Souza, que nos deixou esse ano, Abdias do Nascimento, Grante Otelo, e tantos outros, que lutaram e lutam para que a gente tivesse oportunidade de poder ser representado. A história, com sua necessidade, me colocou nesse lugar”, afirma.

 Seus atos nessa luta já acontecem desde pequeno. De acordo com Érico, ele é o movimento negro em pessoa e pelo simples falto de ter nascido no Brasil ele já é uma resistência. “O Brasil não considera negros, nunca nos considerou como parte da sociedade brasileira. Então, estar neste lugar que eu estou hoje, é um símbolo de resistência, de afirmação, de consciência negra. E quando eu digo consciência, quero dizer uma espécie de consideração de que eu faço parte da sociedade brasileira e as pessoas me veem como um espelho, e também se considerarem parte da sociedade brasileira, quase como consequência”.

Ele ainda explica que quando fala sobre direitos dos negros, as pessoas tendem a confundir com direitos diferentes e exclusivos, mas Érico ressalta que não existe isso. “Nós não temos! O direito dos negros devia ser o direito dos brancos, mas a história da gente foi construída diferente, de forma corrupta e desumana, que deixou a gente em um lugar diferente na sociedade, quando deveriam ser iguais”, afirma com convicção.

Érico Brás ressalta a carência de referência negra em todos os setores, principalmente na história. “As pessoas se sentem no direito de descumprir a lei, de não contar em sala de aula a história da África, pois acham que seus conceitos e suas definições sobre essa história deve prevalecer, então, ter hoje, uma pessoa como eu e muitos outros que já abriram espaços na televisão, no cinema, na publicidade, entre outros, servem de exemplo de representatividade, que chega tardiamente, mas chega. É tenho certeza que muitos meninos e meninas das periferias vão lembrar desse momento no futuro”, finaliza.

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