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Cresce procura por cirurgia plástica entre adolescentes; saiba quando o procedimento é indicado

Os adolescentes estão cada vez mais buscando cirurgias plásticas. De acordo com dados publicados em 2019 pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a procura por procedimentos estéticos entre jovens de 13 a 18 anos cresceu 141% nos últimos 10 anos, com o Brasil figurando em primeiro lugar no ranking de cirurgia plástica realizadas nesse público. Porém, de acordo com o cirurgião plástico Dr. Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, os motivos que levam os adolescentes a procurarem por cirurgias plásticas são diferentes dos adultos. “Adolescentes enxergam na cirurgia plástica uma chance de se encaixar em um grupo e conquistar uma aparência que seus amigos julgarão mais aceitável. Adultos, por sua vez, geralmente procuram os consultórios de cirurgia plástica para se tornarem mais atraentes e ganharem autoestima”, afirma o médico.

Segundo o cirurgião plástico, um dos fatores que mais contribuem para o aumento no índice de cirurgias plásticas entre adolescente é o bullying. Adolescentes assediados verbal e fisicamente são mais propensos a procurarem por cirurgias plásticas para corrigirem supostas falhas que os fazem serem ridicularizados em sua vida social. “A autoestima e a autopercepção da imagem corporal se desenvolvem como consequência da relação do indivíduo com os outros. Consequentemente, o bullying é um grande influenciador de como percebemos nosso próprio corpo”, alerta.

Entre os procedimentos mais realizados pelos adolescentes estão a rinoplastia, procedimento que visa alterar a estética do nariz, e a otoplastia, também conhecida como cirurgia das orelhas de abano, visto que essas são estruturas que possuem grande influência sobre a harmonia facial. “A mamoplastia redutora é outra cirurgia plástica comumente procurada pelos adolescentes, principalmente por garotas que sofrem com dores nas costas devido ao peso dos seios e garotos que possuem uma condição chamada de ginecomastia, ou seja, excesso de tecido mamário que não some com o tempo ou com perda de peso”, destaca o especialista. “Além disso, adolescentes também procuram com frequência procedimentos não invasivos, como microdermoabresão, para ajudar a reduzir a aparência de cicatrizes de acne, e lasers, para clarear manchas e marcas de nascença.”

Mas, afinal, a cirurgia plástica em adolescentes é uma boa escolha? Para responder a essa questão é preciso primeiro entender que existem dois tipos de cirurgia plástica: estética (ou cosmética) e reconstrutora. “A cirurgia plástica reconstrutora visa corrigir defeitos na face e no corpo, como deformidades físicas de nascimento, lesões e cicatrizes provocadas por traumas e mordidas de cachorro ou a reconstrução dos seios após o tratamento de um câncer. Já a cirurgia plástica cosmética consiste na alteração de uma parte do corpo com a qual o paciente não está satisfeito”, explica o Dr. Paolo. Segundo o médico, cirurgias plásticas cosméticas incluem procedimentos como mamoplastia de aumento, rinoplastia e lipoaspiração.

Por ajudar a reparar defeitos significativos e que causam grande desconforto ao paciente, a cirurgia plástica reparadora é geralmente recomendada para adolescentes, podendo ser indicada até mesmo para crianças. Já com relação à cirurgia plástica cosmética, o ideal é que o adolescente converse com os pais e, após conseguir permissão, discuta francamente com o médico sobre expectativas e resultados da cirurgia, bem como os cuidados pré e pós-operatório. “Antes de realizar tratamentos em adolescentes, o cirurgião deve conversar muito com esse público para verificar se o paciente é um bom candidato para a cirurgia, certificando-se de que ele está procurando o procedimento pelos motivos certos e é emocionalmente maduro para lidar com o estresse de todo o processo, desde anestesia e cicatrização até possíveis complicações”, ressalta o cirurgião.

Além disso, é importante lembrar que, durante a adolescência, o corpo passa por uma série de mudanças. Logo, partes do corpo que parecem muito grandes ou pequenas no momento podem se tornar proporcionais com o passar dos anos. “Por esse motivo, certas cirurgias não são realizadas até se ter certeza de que o processo de crescimento e as alterações corporais chegaram ao fim. A rinoplastia, por exemplo, só é indicado após os 16 anos, quando o nariz já está completamente desenvolvido”, afirma o médico.

Como fatores emocionais e psicológicos também possuem grande influência sobre a forma que enxergamos nosso corpo, principalmente no caso de adolescentes, o ideal é que o cirurgião plástico trabalhe em conjunto com um terapeuta para se certificar de que o procedimento está alinhado com as expectativas do paciente. “Muitas vezes, pessoas depressivas ou que sofrem com algum tipo de transtorno mental com relação ao próprio corpo procuram pela cirurgia plástica para corrigir o que os incomoda em sua aparência física. A questão é que, na maioria desses casos, o paciente continua a sofrer com grande desconforto estético após o procedimento, já que o problema tende a ser muito mais psicológico do que realmente físico”, diz o especialista.

Por fim, o Dr. Paolo Rubez ressalta que, no caso de adolescente, nunca é uma boa ideia se apressar e enxergar a cirurgia plástica como primeira e única opção. “Em alguns casos, como quando o paciente está com sobrepeso, apenas a adoção de uma dieta balanceada e a prática regular de exercícios já podem fazer grandes mudanças na aparência física sem a necessidade de cirurgia. Mas, se mesmo com os bons hábitos algo ainda incomodá-lo em sua aparência, o ideal é que, em conjunto com seus pais, você converse com o cirurgião plástico. Apenas ele poderá realizar uma avaliação e indicar o melhor procedimento para o seu caso”, finaliza.

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