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Quebra capilar x queda capilar: problemas são diferentes, mas a queda é um quadro mais complexo

A queda de cabelo e a quebra dos fios são dois problemas capilares que resultam na perda do volume dos cabelos e aterrorizam muitas pessoas. Mas você sabe diferenciá-los? Apesar dos sintomas parecidos, os quadros são bastante diferentes e possuem causas distintas; dessa forma, é claro que o tratamento não é o mesmo. “É essencial identificar se os seus cabelos estão caindo ou simplesmente se partindo, pois só assim é possível tratar corretamente e recuperar a saúde e a densidade dos cabelos. Uma primeira avaliação rápida que é possível realizar até mesmo em casa, é puxar levemente os fios entre os dedos e verificar se eles caem com uma massinha branca na ponta. Se isso acontecer, se trata de queda, e não quebra”, explica a Dra. Kédima Nassif, dermatologista e tricologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, e da Associação Brasileira de Restauração Capilar. Em seguida, a tricologista explica a diferença entre as duas intercorrências e dá conselhos sobre como contornar os problemas:

Quebra: A quebra de cabelo acontece quando o fio não cai pela raiz, e sim sofre algum estresse que o deixa enfraquecido. Segundo a Dra. Kédima, a quebra costuma ser mais simples de tratar, pois geralmente está associada a causas não internas. “Fatores ambientais como o excesso de sol e de vento, mudanças repentinas de temperatura, o cloro da piscina e processos químicos podem deixar os fios quebradiços. Outras causas da quebra podem ser: procedimentos químicos como alisamento, tintura, relaxamento, escovações exageradas ou uso de elásticos de borracha. Também é preciso identificar como anda o fio; se as pontas estão muito ressecadas e quebradiças, o melhor a fazer é corta-las. Isso evita que a as pontas duplas se abram demais e acabem quebrando o fio”, afirma.

            A médica explica que, para tratar, como a maior causa da quebra é o uso de químicas inadequadas ou má aplicadas, o melhor caminho é diminuir, ou até mesmo eliminar, esses elementos. Hidratações semanais também são essenciais para nutrir os fios e deixá-los saudáveis novamente, além de evitar o ressecamento das pontas. “Tenha cuidado na hora da lavagem. Para desembaraçar os fios, deslize o pente apenas com o cabelo molhado, para que o atrito seja menor e não quebre os fios. Para prender, utilize elásticos de tecido, sem partes metálicas e nem borracha, pois podem deixar os fios enganchados e parti-los. Além disso, diminua o uso do secador e da chapinha; eles deixam os fios mais fracos e suscetíveis à quebra. Se for usar, aplique antes protetores térmicos”, recomenda.

Queda: A queda já é um caso mais complexo. De acordo com a Dra. Kédima, é comum que cada pessoa perca cerca de 60 a 100 fios de cabelo por dia. Porém, se o número de fios caindo diariamente passar da quantidade habitual, algo pode estar errado, e as causas podem ser diversas. “Existe a chance de você ser geneticamente predisposto a sofrer de queda capilar. A calvície hereditária (alopecia androgenética) é uma manifestação fisiológica que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, levando a um quadro no qual os fios ficam cada vez ficam mais finos e menores”, explica.

            Outra causa pode ser algum desequilíbrio hormonal, que pode causar alterações em todo o organismo, inclusive nos cabelos. “Enquanto os estrogênios, hormônios femininos, ajudam a manter os cabelos na fase anágena (de crescimento) pelo tempo necessário, os andrógenos, hormônios masculinos, podem encurtar o ciclo de crescimento capilar, fazendo com que os fios cheguem a fase de queda mais rapidamente. Dessa forma, o excesso de hormônios andrógenos pode causar a perda dos cabelos”, esclarece a tricologista, que complementa: “Hipotireoidismo e hipertireoidismo também podem ser os causadores, já que desequilíbrios na glândula tireoide afetam os folículos capilares, mudando sua estrutura proteica, densidade, resistência e crescimento.”

A queda também pode ser induzida por estresse, deficiência de ferro e de vitamina B12. A médica explica que o ferro é um nutriente fundamental para a produção de proteína para as células capilares. A vitamina B12, por sua vez, é fundamental para garantir a saúde dos glóbulos vermelhos do sangue, responsáveis por carregar o oxigênio para nutrir os mais diferentes tecidos do corpo, incluindo os folículos capilares. Quanto ao estresse, ele se manifesta nos cabelos devido ao aumento dos níveis de cortisol, que, além de causar queda, pode promover o aparecimento de caspa e outros problemas no couro cabeludo.

            De acordo com a tricologista, pode ser que os problemas se manifestem tardiamente, fazendo com que leve até três meses para que o cabelo comece a cair pelos motivos citados. “Por isso, é fundamental que você não se desespere ao notar queda excessiva dos fios. O ideal é consultar um tricologista sempre que houver a suspeita de uma queda aumentada. Cada causa responde a um tratamento diferente, por isso o exame físico é fundamental para estabelecer a causa e iniciar o tratamento. Por meio da avaliação, o especialista poderá diagnosticar o que está realmente causando a queda e indicar o melhor tratamento para cada caso, seja ele por meio de suplementos; aplicação de laser ou LED ou tratamentos em clínica como microagulhamento, drug delivery digital e mesoterapia”, finaliza.

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