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Fernanda Torres critica Silvio Santos em caso do Teatro Oficina: “só quer mais dinheiro”

Fernanda Torres decidiu comentar sobre a polêmica envolvendo a negocião entre o Teatro Oficina e o Grupo Silvio Santos. Em entrevista à revista Trip, a atriz Globo, que lançou o livro “A glória e seu cortejo de horrores”, comentando uma história que tem como pano de fundo o universo do teatro, defendeu Zé Celso, fundado do local, comentando sobre um encontro entre José Celso Martinez Corrêa, Silvio e o prefeito da cidade João Dória, em agosto deste ano.

“Aquele encontro diz muito, diz tudo. O Sílvio pergunta ao Zé o porquê dele querer aquele terreno e o Zé responde que não é para ele, é para a cidade. O Zé diz que tem 80 anos, que o Sílvio tem 86, que os dois já já estarão mortos, e propõe ao Sílvio um projeto para a cidade. Mas o Sílvio, que se diz muito rico, quer o dinheiro. O mediador Doria, que mais parece uma caricatura do Oswald de Andrade, fala de assets, fundings, malls, ele mal raciocina em português”, disse.

“O Doria acha maravilhoso um teatro de shopping e o Zé sabe, como eu sei, como qualquer ator sabe, que um teatro de Shopping é um espaço morto, é o túmulo do samba. O Zé propõe um jardim, mas o Sílvio quer o paliteiro de prédios, o Doria quer o paliteiro. O Zé diz que São Paulo não precisa de mais um paliteiro e o Sílvio dá a entender que um parque é sinônimo de cracolândia, e ainda diz que vai fazer um campeonato no parque e dar um prêmio ao mais drogado”, comentou.

“É tudo muito chocante. O Zé é uma anomalia nesse paraíso que sonha com Miami, com malls, que manda varrer a cracolândia do mapa. O parque do Bexiga, o projeto do Zé, não tem lugar nessa sub-Miami. E acredito que a vizinhança do teatro também sonhe com o mall. É um clash de civilizações, é a Grécia e a Barra da Tijuca, é Dioníso e o Romero Britto, é, mais uma vez, Chico Buarque e Katy Perry, não há ponto de encontro. Aquela reunião é muito reveladora, a maneira como o Sílvio ri, o prefeito que só fala inglês, o poncho indígena do Zé. Oswald Andrade faria uma peça e tanto daquilo”, disse.

O diretor luta para manter e concluir o projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, que previa um parque cultural público em volta do Teatro Oficina, no Bexiga, região central de São Paulo. Entre os anos 1980 e 1990, Lina empreendeu uma grande reforma no interior do teatro, o que o levou a ser considerado pelo jornal britânico The Guardian o teatro “mais belo e intenso” do mundo. A arquiteta morreu antes de concluir seu projeto. Silvio Santos, que adquiriu os terrenos em volta do Oficina enquanto Lina fazia a reforma, quer construir ali um empreendimento imobiliário que, além de ameaçar a vista do janelão aberto por ela em uma das paredes de tijolos do edifício, aniquilaria a possibilidade de criar o parque.

Fonte: O TV Foco

Foto: Reprodução