“O brasileiro é um povo esplendidamente musical”, disse Mário de Andrade (1897-1945) em seu quase centenário livro “Ensaio sobre a música brasileira”, de 1928. O modernista, considerado o primeiro grande crítico de música brasileiro, além de escritor, sempre esteve certo. Um bom exemplo dessa tese é o cantor e multi-instrumentista Pretinho da Serrinha, (impensável) nome artístico de Ângelo Vitor Simplício da Silva, aclamado pelo público e crítica. Dono de carisma que salta aos olhos, suingue inconfundível, timbre luminoso e uma inconfundível alegria que imprime na forma de tocar e cantar, uma coisa é certa: onde há um grande projeto ligado à música brasileira, lá está ele. E ultimamente não só no fundo do palco, entre os músicos, mas também assumindo o microfone com a sabedoria e talent o de quase quatro décadas de dedicação à música e profundo aprendizado. Boa praça, este carioca cantor, arranjador, produtor musical, compositor e instrumentista caminha para os 48 anos (em agosto) aclamado por onde se apresenta, deixando um legado de arte e generosas doses de humildade. Canta o cotidiano com a mesma delicadeza com que afina um cavaquinho. Seu som é herança ancestral, batuque que pulsa, alegria que cura.
