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O programa “Espelho – 20 Anos Depois”, dirigido e apresentado por Lázaro Ramos, recebe os atores Clara Moneke e Juan Paiva em um episódio inédito que vai ao ar no dia 13 de março, às 22h, no Canal Brasil. Na conversa, os convidados refletem sobre suas trajetórias pessoais e profissionais, memórias da infância, o processo de criação de personagens, além de falarem sobre autoestima, referências e os sonhos que ainda desejam realizar.

Logo no início do encontro, Clara relembra sua relação com a televisão e destaca a importância de Lázaro em sua formação como espectadora. “Você foi minha primeira referência de pele retinta, negra, que parecia comigo na televisão”, afirma a atriz.

Ao ser questionada sobre como era sua vida há duas décadas, Clara volta à infância vivida em Seropédica, no interior do Rio de Janeiro, ao lado da avó. “Era uma vida muito incrível. Aos 6 anos fui morar com a minha avó para que minha mãe pudesse trabalhar. Esse período foi um dos maiores moldadores de caráter que eu pude ter. Tenho muito orgulho de dizer que também fui criada por ela, uma mulher forte e amorosa, que me ensinou literalmente tudo sobre o amor”, conta. Poetisa, a avó também influenciou a visão de mundo da atriz. “A Clara de 20 anos atrás estava aprendendo muita coisa que firmou quem eu sou hoje. São memórias de muito carinho, afeto e amor.”

Clara também lembra que não imaginava chegar ao espaço que ocupa hoje na televisão e no audiovisual. “Minha história com a carreira sempre foi carregada de muitas inseguranças. Comecei no teatro aos 18 anos, mas não pensava em seguir. Quando recebi o convite para fazer novela foi uma grande surpresa. Mesmo acreditando em mim, até a gente chegar lá, às vezes não acredita. A diversidade no audiovisual ainda está avançando, estamos construindo esse terreno.”

A atriz ainda se emociona ao falar sobre a importância da família em sua trajetória. “Só de pensar na minha família meu coração acelera. Família é nossa base, mas ela pode ter muitas formas: de sangue, de amigos, de pessoas que encontramos na vida. Eu tenho muita sorte da minha ser de sangue e muito baseada no amor. Eu acredito no amor como ferramenta de transformação e cura. Quando você tem isso em casa, não precisa que o outro te dê amor — precisa apenas de respeito. Esse amor familiar é ancestral.”

Na conversa, Juan Paiva compartilha como constrói seus personagens e explica que seu processo passa muito pela observação do cotidiano. “Além da leitura, eu gosto de sentir o que o personagem está me propondo e vou deixando ele me conduzir. Busco referências em filmes, mas também muito na vida. Sou uma pessoa tímida e introspectiva, mas por dentro estou vivendo um monte de coisas. Isso acaba virando uma espécie de ‘malinha artística’ que eu acesso quando surge um personagem”, explica. O ator também destaca a importância da espiritualidade em seu caminho. “Tenho fé em Deus e acredito em energias positivas que vão me conduzindo.”

Clara concorda com o colega e reforça a importância da observação na construção de personagens. “Sou muito observadora das pessoas. O cotidiano é o maior livro a ser lido. Quando comecei na televisão e percebi o impacto da minha personagem, entendi que é muito menos sobre mim e muito mais sobre retratar as pessoas para as próprias pessoas. E a cena também acontece muito no encontro com o outro.”

Ao falar sobre padrões e percepções de beleza, Juan reflete sobre autoestima. “Beleza é muito ponto de vista. Eu vejo beleza em coisas que talvez outras pessoas não vejam. Minha mãe sempre disse que eu era bonito e eu sempre acreditei nisso, o que ajudou na minha autoestima. Mas teve um momento em que eu me olhava no espelho e pensava: ‘está faltando um molho'”, brinca.

Clara conta que sua relação com a própria imagem foi construída com o tempo. “Por muitos anos, até os 16, eu não me via como uma mulher bonita. Mesmo tendo uma mãe muito afro afirmativa, eu não conseguia me enxergar assim porque ninguém me validava. A partir dos 18 anos, quando as discussões raciais começaram a aparecer mais entre os jovens, isso me ajudou muito na construção da minha autoestima. A televisão também tem esse papel de ajudar a validar imagens.”

Ao final da conversa, Lázaro pergunta quais são os sonhos atuais de cada um. Clara responde com objetividade: “Meu sonho é ter independência financeira. Poder escolher o que vou fazer é liberdade. Dinheiro traz bem-estar e autonomia, e eu busco isso dentro da minha arte. Quero poder construir minha família. Tenho muita vontade de ser mãe.”

Juan, por sua vez, fala sobre sonhos compartilhados com quem ama. “Tenho muitos sonhos, mas ver minha família bem já é um sonho que vivo todos os dias. Eu sonho muito que meus irmãos também consigam realizar os sonhos deles.”

Espelho – 20 Anos Depois (12X25′) – Inédito

Horário: Sexta, dia 13/03, às 22h

Alternativos: 15/03, às 10h30; 17/03, às 14h30; e 18/03, às 19h

Episódio: Clara Moneke e Juan Paiva – Temp.16 Ep7

Direção: Lázaro Ramos

Classificação: Livre

Sinopse: Lázaro Ramos recebe Clara Moneke e Juan Paiva. Os jovens atores falam sobre o conceito de beleza, autoestima, construção dos personagens e o protagonismo negro no audiovisual.