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homem do dia

Mudam os tempos, ficam as referências de elegância

Fábio Arruda

“Releituras de comportamento são fundamentais”, alerta o consultor de etiqueta Fábio Arruda

Transformar-se a partir de conceitos e atitudes, a ponto de todos o respeitarem e o desejarem por perto; saber portar-se de forma adequada, gentil, com generosidade. Viver em sociedade requer posicionar-se de forma autêntica, mas seguindo regras básicas de convívio. Mas até que ponto é permitido adaptar situações de etiqueta, sem deixar de ser elegante?

“As releituras são fundamentais”, ensina o consultor de etiqueta e comportamento Fábio Arruda, referência no segmento. “Quer ver? Já houve um tempo, nos anos 1950, onde fumar era o maior exemplo de elegância, charme e sedução; hoje em dia esse hábito se tornou praticamente algo criminoso. Sempre faço questão de ressaltar que não fumo e nunca fumei, mas também não faço disso um campo de batalha, nem deixo de conviver com pessoas que eu goste. Mas, claro, essas pessoas têm que se adaptar às novas regras, então houve uma releitura, uma mudança”.

Fábio vai além. “Não tínhamos telefone celular e agora ele nos acompanha em todos os momentos. É compreensível, tornou-se uma ferramenta de trabalho, de manutenção de vida; é preciso acompanhar o andamento dos filhos, às vezes de idosos, enfim mil situações. Então o celular passou a fazer parte do cotidiano das pessoas”.

Apesar das releituras de comportamento serem fundamentais para acompanhar novas situações, o consultor alerta que os princípios vão ser sempre os mesmos, mas as adaptações são necessárias. “Nestes tempos em que se fala tanto em igualdade, e para que não haja misoginia, machismo exacerbado e situações do tipo, uma série de regras que antes eram tidas como o mais absoluto cavalheirismo em relação às mulheres, que segregavam de alguma maneira, hoje não cabem mais; o cavalheirismo, sim, vai caber sempre; isso é imutável”.

E, afinal, ainda valem jargões como “pessoas bem nascidas”, “a verdadeira elegância vem do berço”? Fábio acredita que em muitos casos, sim. “Quando se tem uma boa criação, a sorte de ter tido contato com regras, normas, desde a mais tenra idade, é possível que se assimile com mais facilidade. Mas não é impossível para ninguém, basta querer! Da mesma maneira que se aprende um idioma para se refinar, qualquer pessoa que queira ou se considere minimamente elegante, tem que se munir de informações, se atualizar, saber o que está acontecendo no planeta. Cultura é fundamental em qualquer situação e independe de classe financeira”.

“Em vez de ficar perdendo tempo em querer saber quem é a última namorada do galã de novela, ou o resultado do último reality show, que tal se preocupar em buscar informações, ir selecionando o conteúdo que quer ver nas redes sociais, algo que agregue?”, alfineta o consultor. “Ler e acrescentar cultura, quando se toma como hábito, não é uma obrigação, uma tarefa, um dever de casa, é verdadeiramente um prazer”.

Fábio Arruda arremata: “Para ser feliz em sociedade é fundamental que se exercite a generosidade, a gentileza, o respeito acima de tudo. Se procurarmos entender as decisões e escolhas do outro, sem obrigatoriamente concordar, esta será a condição ‘sine qua non’ para quem quer viver bem. A vida pode e é uma grande experiência. Basta querer”.