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Ale Monteiro, diretor artístico e influenciador, fala sobre a importância de se combater a gordofobia

 

“Não é elogio dizer que tenho um rosto bonito”

Para ele, a representatividade continua sendo um dos passos fundamentais para incentivar a diversidade de corpos

Mais do que uma questão de autoestima, aceitar o próprio corpo tem a ver com empoderamento. O diretor artístico e influencer Ale Monteiro já teve problemas de autoaceitação no passado, mas atualmente se descreve como gordo com orgulho.

“Eu lido muito bem com meu corpo. Quero que esse novo capítulo da minha vida seja sobre ser autêntico sobre quem sou, em vez de tentar cumprir padrões de outros indivíduos. De qualquer forma, aqui estou eu, cru e real. Eu me amo e você deveria se amar também”, recomenda.

Ele explica como já foi afetado pela pressão estética, que coloca há décadas o corpo magro como ideal.

“Ainda sou alvo de comparação e chacota diariamente. Recebo mensagens nas redes sociais elogiando meu rosto. Não é elogio dizer que tenho um rosto bonito. E sempre que excluem meu corpo na totalidade, já entendo que, para essa pessoa, o ideal de beleza é diferente do meu. Sofri muita pressão porque a gordura não combinava com a moda. Não estou empolgado com a minha aparência assim, mas estou apreciando ela e, às vezes, isso é o melhor que posso fazer”, desabafa.

Nesse cenário, debater a temática da gordofobia se mostra necessário.

“É a mesma importância de debater racismo, machismo, feminismo, homofobia porque tudo se trata de construção. As pessoas devem ser bonitas e felizes por ser quem são”, defende. Envolvido no mundo artístico desde os 14 anos, ele enxerga de perto como a busca pelo corpo perfeito impacta pessoas públicas. “Vivo há muito tempo nesse mercado e sei o sofrimento de modelos e atrizes com a pressão de emagrecer, de não envelhecer. É muito cruel. Não acredito que é preciso sofrer para ser bonita”, diz.

Para Ale, um dos passos fundamentais para incentivar a diversidade de corpos é a representatividade. “Devemos entender como a sociedade enxerga e trata mulheres e homens gordos. Pare e pense: quantas vezes você viu sujeitos gordos representados de forma positiva? Provavelmente, poucas vezes ou nenhuma. É muito mais comum vê-la como motivo de pena, graça ou um misto dos dois. E essa abordagem tem um nome: gordofobia”, explica.

O estereótipo de pessoas gordas veiculado em filmes, séries e novelas não é inofensivo, de acordo com o diretor. Personagens que reforçam uma imagem ridicularizada de pessoas gordas ainda estão passando por problemas de aceitação – especialmente crianças e adolescentes.

“Precisamos nos ver nos produtos que consumimos, como empresários, médicos, modelos e profissionais com uma vida normal. Não aquele estereótipo de gordo que se mostra nos raros momentos em que nos colocam nas telinhas: pessoas medrosas, tímidas, comedores compulsivos, com baixa autoestima. Ou os palhaços que fazem piada de tudo e acham normal serem humilhados”, acrescenta.

“Outra maneira eficiente de combater a gordofobia, na minha visão, tem a ver com a conscientização individual. Que cada um pare de julgar e pense bem antes de sair por aí destilando preconceito disfarçado de preocupação com a saúde, maltratando a autoconfiança alheia a troco de nada”, completa Ale.

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