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Fashionista Édipo Pereira revela suas principais referências masculinas no mundo da moda e comenta preconceito

Entre suas inspirações, estão o brasileiro Kadu Dantas e o italiano Carlos Sestini

O mundo da moda, visando superar as barreiras de gênero e as regrinhas sexistas ultrapassadas, abre cada vez mais espaço para que homens se interessem pelas possibilidades do universo fashion. O fashionista Édipo Pereira analisa essa transformação na moda masculina e revela suas principais inspirações.

“Fora do Brasil, amo o estilo do italiano Carlos Sestini e admiro seu trabalho. Já no Brasil, minha referência número um é Kadu Dantas. Para mim, ele está revolucionando a moda masculina no país”, afirma.

“Ser fashionista no Brasil ainda é difícil porque ainda existe preconceito. Atualmente, consigo vestir o que gosto no Brasil porque vivo há muitos anos fora e me libertei dos padrões onde os homens que curtem moda são encaixados”, explica Édipo, que mora há mais de uma década no exterior.

“Não sei se conseguiria explorar meu estilo morando em um país onde ainda há machismo e sexismo, especialmente relacionados à moda sem gênero. É como se tudo colocasse em prova o seu jeito de ser, sua sexualidade, suas preferências, sendo que a moda possibilita que a gente vista o que quiser.”

“Ainda há um bloqueio entre os homens para explorar o seu estilo, independente da orientação sexual”, opina. “A sexualidade não é um fator determinante. Você pode ser heterossexual e usar saia sem nenhum problema. A questão é que os ataques e piadas de mau gosto, vindas até de pessoas queridas, continuam sendo recorrentes.”

O assunto voltou com força durante o BBB 21. Fiuk, um dos participantes do reality show, costuma vestir peças ligadas à moda feminina, como saias e vestidos. A marca por trás dessas roupas é J. Boggo, criada pelo estilista Jay Boggo. Ele também assina roupas para outras celebridades, como Reynaldo Gianecchini, Jesuíta Barbosa e Mateus Solano, sempre focando na tendência agênero.

Dentro da casa, o estilo de Fiuk já gerou algumas polêmicas. Na semana passada, inclusive, o brother Rodolffo foi indicado ao paredão pelo líder, Gil, após fazer um comentário sobre as roupas do ator e cantor. “Já imaginou um homem de vestido numa festa em Goiás?”, questionou ele durante uma conversa no Quarto Cordel.

Outro fenômeno interessante, de acordo com Édipo, é que as pessoas acreditam que o uso de saias e vestidos pelo público masculino é uma prática recente. “As roupas sem gênero ganham espaço nas passarelas das grifes internacionais nos dias de hoje, mas muita gente não se recorda que essas peças sempre fizeram parte do guarda-roupa dos homens.”

“É só voltar um pouco na história para observar que egípcios, gregos, romanos e astecas usavam túnicas, togas e saias, por serem fáceis de usar, de acordo com a cultura e tradição de cada um”, reflete. “Esse cenário só começou a mudar no século XIX, com a ascensão da moda masculina britânica dos famosos dândis. Foi a partir dessa época que as calças e seus cortes retos e simples começaram a ser identificados como trajes masculinos pela sociedade. É basicamente uma questão cultural, pois não existe uma roupa essencialmente feminina ou masculina.”

Como os homens podem ser tornar fashionistas

Para ele, o primeiro e mais importante passo para ser fashionista é ter um guarda-roupa que te agrade, sem seguir o que ditam como certo e errado.

“Passe um tempo em frente ao espelho para descobrir a combinação perfeita de itens em você. Descubra quais peças de roupas caem melhor no seu tipo de corpo e mais acentuam as suas características mais marcantes”, indica.

“É essencial usar peças que te agradem. O que importa é a atitude positiva e confiança em você mesmo. Isso te dará autoestima e bem-estar”, pontua. “A moda é linda! Assim que amar a si, logo seu estilo fashionista interior brilhará”, completa.

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